A hidrossemeadura é uma técnica de Engenharia Natural que tem como objetivo o
controle de processos erosivos superficiais por meio do uso de plantas. Através de uma
eficiente cobertura e estabilização da camada superficial do solo, este tipo de intervenção
proporciona a diminuição da solicitação sobre o solo, pela água da chuva e do escoamento
superficial e a diminuição de perda de material terroso. No entanto, a eficiência e o sucesso
do emprego desta técnica dependem da viabilidade das sementes e do rápido
desenvolvimento das espécies vegetais semeadas. O objetivo deste trabalho foi avaliar a
taxa de germinação de 25 espécies herbáceas (gramíneas e leguminosas) nativas
comumente utilizadas em trabalhos de hidrossemeadura na Áustria. As espécies testadas
foram Achillea millifolium L., Agrostis capillaris L., Anthoxanthus odoratum L., Anthyllis
vulneraria L., Bromos erectus Huds., Centaurea caynus L., Centaurea scabiosa L.,
Daucus carota L., Festuca nigrescens Lam., Festuca ovina L., Festuca rubra L., Knautia
arvensis (L.) Coult., Leontodon autumnalis L., Leontodon hispidus L., Lolium perenne L.,
Lotus corniculatus L., Medicago lupulina L., Onobrychis viciifolia Scop., Poa compressa
L., Poa pratensis L., Thymus pulegioides L., Trifolium repens L., Papaver rhoeas L.,
Plantago lanceolata L. e Salvia nemorosa L.. O teste de germinação foi realizado em
outubro de 2014 no Instituto de Engenharia Natural e Planejamento da Paisagem (IBLB)
da Universidade Rural de Viena (BOKU), Áustria. O teste foi realizado utilizando-se
substrato orgânico colocado em recipientes circulares de 13,2 cm de diâmetro e 4,5 cm de
altura. Em cada recipiente foram distribuídas 50 sementes de cada espécie, totalizando 25
recipientes. Após a semeadura e durante o decorrer do teste irrigou-se diariamente o
substrato dos recipientes, conforme necessidade hídrica. A temperatura média e a umidade
do ar durante o teste foram de 24°C e 44%, respectivamente. Após 21 dias da implantação
foi avaliada a taxa de germinação de cada espécie. Os resultados mostraram uma grande
amplitude germinativa, variando de 0% a 74%, com germinação média de 33%. As
espécies que apresentaram as maiores taxas foram Festuca nigrescens (74%); Thymus
pulegioides (72%); Anthyllis vulneraria (66%); Lotus corniculatus (62%) e Festuca ovina
(58%). As menores taxas foram observadas para as espécies Plantago lanceolata (10%);
Daucus carota (8%) e Agrostis capillaris e Salvia nemorosa que não germinaram. As
baixas taxas de germinação de algumas espécies podem estar relacionadas com o longo
período de armazenamento, o que causa a perda de viabilidade fisiológica das mesmas. De
modo geral, os resultados observados para a maior parte das espécies mostraram-se
insatisfatórios para os padrões de viabilidade de sementes exigidos no território austríaco
(>70%). Além disso, baixos índices de germinação de espécies utilizadas em
hidrossemeadura podem elevar os custos de execução de obras de Engenharia Natural, pela
necessidade do aumento da quantidade de sementes aplicadas por metro quadrado (m²), ou
ainda comprometer o sucesso do controle dos processos erosivos, pela baixa cobertura
proporcionada ao solo. Portanto, a realização de testes prévios para a avaliação da
germinação das sementes das espécies a serem empregadas em obras é essencial.

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